terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Porto Murtinho é um dos cenários do filme documentário “Rota Bioceânica: povos e natureza”

 


Como retratar tanta beleza natural e cultural de um território, numa linguagem que permita a interface poética, informativa e educativa? E se esse lugar fosse tão rico de história e singular como a fronteira Brasil/Paraguai e que logo cederá espaço para um corredor rodoviário de integração entre vários países latino-americanos?

Diante desse cenário real, o filme “Rota Bioceânica: povos e natureza” vem sendo planejado desde 2018 pela equipe do Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo e parceiros. Idealizado pelas pesquisadoras Simone Mamede, Maristela Benites e a cineasta Marinete Pinheiro, o documentário tem o propósito de despertar o olhar para a integração dos patrimônios cultural, histórico e natural no território da Rota Bioceânica com a perspectiva da sustentabilidade socioambiental.

O time, liderado por mulheres e composto por biólogas, turismóloga, cineasta e a fotógrafa/filmaker Elis Regina Nogueira, deu início à execução do projeto em janeiro de 2021 na forma de documentário sobre a Rota Bioceânica, com enfoque à riqueza natural e cultural dessa região tão peculiar da América do Sul que se desenha nos países Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A primeira parte da pesquisa e captação de imagens do filme “Rota Bioceânica Povos e Natureza” aconteceu na primeira semana de janeiro na região do Chaco, envolvendo Porto Murtinho, Isla Margarita e Carmelo Peralta - região de fronteira Brasil/Paraguai. Agora elas se preparam para a extensão do percurso, ou seja, filmar todo o trajeto Brasil-Chile ainda em 2021.


As pesquisadoras Simone Mamede e Maristela Benites conduzem o processo de narrativa na obra audiovisual e incluem a diversidade natural, a partir de pesquisas sobre a biodiversidade local desenvolvidas desde 2002. De acordo com Simone Mamede, “o trabalho protagoniza o que temos de mais rico, a vida que pulsa na travessia de importantes biomas como Cerrado, Chaco, Pantanal, Floresta, Deserto andino e tantos outros pelo caminho que nos revelam o que há de mais belo na diversidade e na integração de povos com a essência da natureza”.


A cineasta Marinete Pinheiro aborda que é "um desafio encantador imergir nas veias da América do Sul e descrevê-la através do cinema. Essa Rota, que pretende fazer uma conexão entre quatro países detentores de expressiva riqueza, seja pelas histórias de seus povos, seja pela beleza das paisagens, clima, sensações, enfim, pode descortinar um dos caminhos mais interessantes e encantadores das Américas e queremos registrar em imagens e sons".

Maristela Benites afirma que saberes alimentados pela natureza e que esta, por sua vez, forja os distintos saberes podem ser vivenciados ao longo dessa Rota e a expressão que pode traduzir é “beleza na diversidade socioambiental”. Por isso, a responsabilidade de todos em projetar grandes obras de infraestrutura à luz da verdadeira sustentabilidade, uma vez que toda essa sociobiodiversidade é revestida de fragilidades e facilmente pode se perder.


“Participar desse projeto tem sido uma experiência única na minha vida. Uma oportunidade incrível de olhar, contemplar e registrar a exuberância das paisagens e da natureza, a riqueza da cultura e a força dos povos que cuidam com amor e coragem da sua sagrada Mãe Terra”, afirma Elis Regina Nogueira.



A Rota Bioceânica já é uma realidade, seja no imaginário dos que a aguardam, seja no avanço das obras que a concretizam. Temos percebido a cada trajetória que os elementos que unem os povos deste território são: o pertencimento e os elementos da biodiversidade local que compartilham, seja o rio, as serras, as plantas, a paisagem, a cultura, a vida. Agora, acrescenta-se uma ponte e uma estrada que, ao mesmo tempo, cortarão os territórios trazendo impactos, mas que poderão aproximar mais ainda as comunidades, impondo desafios e possibilidades para construção de territórios sustentáveis com justiça social e ambiental.


No momento, o projeto busca financiamento para sua segunda etapa, vez que a primeira etapa teve apoio logístico do Instituto Mamede e investimento pessoal das realizadoras, e a Rota compreende um percurso de mais de 2 mil km de extensão, com previsão de mais de um mês de viagem para captação das imagens necessárias à narrativa do documentário.

Para quem tem interesse em apoiar o projeto ou saber mais informações, contato: whats: +55 67 9 99615708. Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo.


quarta-feira, 3 de junho de 2020

O protagonismo feminino na pesquisa e observação de aves

Live com mulheres pesquisadoras e observadoras de aves
A parceria entre o Museu da Imagem e do Som de MS (MIS/MS), Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo e WWF Brasil, promove na Semana do Meio Ambiente de 2020 um encontro com mulheres pesquisadoras e observadoras de aves do Brasil e Argentina. O tema do diálogo será " O PROTAGONISMO FEMININO NA PESQUISA E OBSERVAÇÃO DE AVES: DO SERTÃO AO FIM DO MUNDO" Está imperdível. Participem!!

terça-feira, 30 de julho de 2019

Oficina de Observação de Aves do Festival de Inverno 2019 transforma olhares e revela nova atividade turística para o distrito Águas do Miranda, Bonito - MS, Brasil


Atividade de campo da oficina de Observação e Identificação de Aves
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Na 20ª. Edição do Festival de Inverno de Bonito, o Instituto Mamede desenvolveu a Oficina de Observação e Identificação de Aves com a Comunidade “Águas do Miranda”, distrito de Bonito-MS. Entre aulas teóricas e saídas a campo, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer e interagir com a rica avifauna presente no distrito. Em aproximadamente 12 horas de atividades de campo, as aves nos brindaram com espetáculo de formas, cores, sons e belezas singulares reunidas em 102 espécies.
Aula teórica sobre aves
Mesmo com baixas temperaturas na manhã, e em plena estação seca, as aves estavam lá, como que, à espera de olhos e ouvidos que as descobrissem e com elas se encantassem. A oficina foi marcada pela descoberta das aves, antes despercebida pela comunidade. Alguns dos primeiros a recepcionar a equipe de observadores foram o tiriba-fogo (espécie que, no Brasil, aparece no Mato Grosso do Sul), o pica-pau-louro e o arapaçu-beija-flor. Os anfitriões já indicavam que o dia seria promissor!
Quem também apareceu foi o udu-de-coroa-azul, ave-símbolo de Bonito. Todos puderam conferir que suas cores e hábitat de ocorrência têm tudo a ver com Bonito. Rapinantes, psitacídeos, aquáticas, chaquenhas, de mata e de campo, as aves encheram de alegria o Festival de Inverno de Bonito – 2019.

Atividades práticas
O turismo de observação de aves se mostra como rico potencial ao desenvolvimento social e econômico e para conservação da biodiversidade de Águas do Miranda.
Jaqueline, professora na escola local, se orgulhou em dizer que o Rio Miranda deu tudo à comunidade de Águas do Miranda, desde alimento, lazer, renda e também dignidade. Assim, a Oficina de Observação e Identificação de Aves foi mais uma prova da rica biodiversidade local, confirmando o potencial para o ecoturismo e outros segmentos de baixo impacto socioambiental e que podem gerar renda e qualidade de vida, por meio da valorização e proteção da natureza.
O Instituto Mamede agradece ao 20º Festival de Inverno de Bonito, à Fundação de Cultura de MS e à Comunidade Águas do Miranda.

Depoimentos:
Ana Moreira 
Feliz por participar da Oficina de Observação de Aves. Quero agradecer  à Jaqueline, grande incentivadora. Tenho fé que serei uma grande guia de observação de aves.  Agradecer  também as profissionais  do Instituto  Mamede  que nos ensinaram muito e foi de grande valia. Esse só foi o começo, o primeiro passo de muitos que virão ainda. Obrigado a todos  os organizadores e colegas que tiveram juntos, foi uma aventura, com grande conhecimento. Temos muito pra aprender ainda, mas bora estudar e conquistar os objetivos.  Tô encantada até agora e com um novo olhar pra natureza, em especial às aves.
Ana Moreira (pescadora)



Profa. Jaqueline Santos

Agradeço imensamente à organização do Festival de Inverno de Bonito-2019, ao instituto Mamede por nos fazer enxergar com os olhos de ver...Obrigada por nos trazer esperança, por nos ensinar com tanta dedicação e amor... Agradeço a todos que compuseram essa equipe. Não iremos mais nos separar e juntos faremos dessa comunidade uma comunidade próspera, porém com responsabilidade, com amor a tudo que ela nos dá sem cobrar nada. Enfim ...obrigada💓
Jaqueline Santos (professora)

                                                  Quero gradecer imensamente à organização do Festival de Inverno por nos dar
Evanir
oportunidade de participar dessa Oficina de Observação de Aves que foi uma maravilha. À Jaqueline por estar sempre buscando o melhor para a nossa comunidade. Às palestrantes que fizeram um trabalho incrível para nos ensinar. E é através dessa oficina que hoje posso ver com outros olhos a riqueza que temos no nosso Distrito Águas do Miranda. Foi show estar do lado de pessoas maravilhosas e juntas tenho certeza que vamos fazer a diferença. Parabéns a todos ❤ 

Evanir (moradora do Distrito Águas do Miranda, Bonito-MS)


Profa Luciene
Venho só agradecer, pois no meu caso, achei que só ia desfrutar das trilhas mas acabei me apaixonando pela observação dos pássaros. Só tenho a agradecer à Jaqueline que me ofereceu essa vaga e ao Instituto Mamede, as profissionais que deram show nas explicações! Obrigada  por tudo que adquiri nesses 3 dias 🙏🏼
Luciene (profa da Escola do Distrito Águas do Miranda, Bonito-MS)
Lidiane

Primeiro quero agradecer a vocês por ter dado essa oportunidade de conhecer melhor nossas aves. Foi tudo lindo!! Espécie que nós até já  havíamos visto, mas não conhecíamos e sua beleza muito encantadora chama muito atenção com suas cores e cantos...
Lidiane (Estudante do ensino médio da escola do distrito Águas do Miranda)





Janaína, Águas do Miranda


Confesso que fui mais por curiosidade e saí apaixonada por cada aprendizado e por descobrir cada espécie de ave que nosso Águas do Miranda tem, é imensamente gratificante. Saí com minha bagagem cheia❤ . Obrigada Instituto Mamede 🐦 foi uma experiência única 😍
Janaína




Vinícius, Águas do Miranda



A oficina não foi só de conhecimento, foi também de muita aventura, alegria e muitos lifers. Agradeço à profa. Jaque que pode nos proporcionar essa oficina, também  agradecer ao Instituto Mamede que nos deu uma grande fonte de conhecimentos e nos ajudou a ter um olhar diferente sobre nossa comunidade onde temos uma diversidade de espécies de aves e saber sobre cada espécie foi muito gratificante e uma experiência muito divertida. Obrigado Instituto Mamede 🦅🦅🦅  Vinícius.




Simone Mamede
Sempre acreditei na possibilidade do matrimônio entre os patrimônios, que a conectividade entre a cultura, ambiente, história pudesse ser o elo para a solidez de uma comunidade com vistas à sustentabilidade. Quando a proteção do ambiente se torna uma cultura, quando a arte, o diálogo, o conhecimento são bases para uma construção maior e coletiva, podemos acreditar que estamos no caminho certo. Essa oficina parece ter sido um start de perspectivas de uma cultura mais sustentável. O primeiro passo foi dado. Me sinto feliz em poder fazer parte desta história com a equipe de patrimônio da Fundação de Cultura do MS e com a Comunidade do distrito Águas do Miranda, Bonito. 
Simone Mamede, Instituto Mamede de pesquisa Ambiental e Ecoturismo.

Confiram a lista das espécies registradas durante a oficina: https://taxeus.com.br/lista/13429 e http://ebird.org/view/checklist/S58522731