terça-feira, 29 de maio de 2018

A observação de aves alça voo na Oficina de Observação e Identificação de Aves no 14° Festival América do Sul Pantanal, 2018


Quando o assunto é passarinho, todo mundo tem uma história pra contar. Isso nos leva a reafirmar o que já foi constatado: esses animais ajudam a contar a história da civilização humana e do dia a dia das pessoas. Mesmo sem saber se aquela ave é ou não passarinho, é fato que elas nos ajudam a melhor perceber o mundo a nossa volta e nos enchem de encanto.

Entendendo que as aves representam significativa expressão da nossa cultura, o 14° Festival América do Sul Pantanal ocorrido de 25 a 27 de maio do corrente ano, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, trouxe, de forma singular, a Oficina de Observação e Identificação de Aves
do Pantanal e Arredores.

Em menos de 12 horas em campo foram observadas 116 espécies de aves, com muitos lifers a vários participantes.
Na primeira saída a campo, no Parque Natural Municipal de Piraputangas, encontramos a choca-da-bolivia (Thamnophilus sticturus), espécie restrita à porção oeste do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estados fronteiriços à Bolívia, onde se fazem presentes as matas secas chiquitanas. Primeiro encontro (lifer) absoluto para muitos observadores do curso!

À tarde, no passeio de chalana pelo rio Paraguai, as surpresas e encanto dos primeiros encontros ttrouxeram ainda mais alegria e sabíamos que a partir dali consagramos, definitivamente, um novo novo contingente da nossa irmandade, extensiva ao círculo já muito forte Brasil afora: os passarinheiros de vida livre. 

O rio Paraguai está no auge do seu pulso de inundação em Corumbá-sede. Água pra todo lado e a vida se renovando nos arredores onde as águas alcançam. Em virtude das águas altas as “aves clássicas” do Pantanal não foram avistadas nas passarinhadas (tuiuiús, curicacas, colhereiros e outros dependentes de águas mais baixas), mas em compensação as aves de mata e arbustivas deram um show à parte e o espetáculo foi simplesmente sensacional – não restando outro adjetivo. Do passeio resultaram: saí-canário (Thlypopsis sordida), saci (Tapera naevia), arredio-do-rio (Cranioleuca vulpina), carretão (Agelasticus cyanopus), alegrinho-do-chaco (Inezia inornata), figurinha-de-rabo-castanho (Conirostrum speciosum), mariquita (Setophaga pitiayumi), incontáveis sanhaços-cinzentos (Tangara sayaca), cardeais (Paroaria capitata), japus (Psarocolius decumanus) e tantos outros.

E lá vai uma chalana navegando no remanso do rio Paraguai levando sonhos, comunhão, esperanças, descobertas e vidas atentas a outras formas de vida pantaneiras.

A oficina que foi realizada de 25 a 27 de maio pela equipe do Instituto Mamede de Pesquisa Ambienta e Ecoturismo, com apoio e coordenação da gerência de Patrimônio da Fundação de Cultura do MS, teve entre seus resultados o fortalecimento do Clube de Observadores de Aves, COA – Corumbá, a comunhão dos participantes no que se refere à conservação da biodiversidade local e muitos "lifers" - primeiro encontro com diversas espécies. A lista das espécies registradas encontra-se disponível na plataforma colaborativa de ciência cidadã – Táxeus. Confira aqui:  https://taxeus.com.br/lista/11514.




Inspirados nas aves e seu modo de vida, a observação naturalista pode melhorar as relações sociais, o respeito entre pessoas e delas pelo mundo natural. Sim, a nossa cultura deve muito às aves!!




As lições apreendidas pelos participantes e ministrantes estão descritas a seguir:







"Gratidão pela oportunidade!!! Aprendizado e muitos lifers. Corumbá alça voo a partir dessa oficina. Equipe 10. Estamos juntos, parceiros!!" Nancy Proença (Agente de Turismo)



"Transformador! Um curso de observação de aves que me fez enxergar a vida com outros olhos, cada lifer é uma alegria indescritível. Tenho certeza que nunca me esquecerei desse curso".
Gabriel Oliveira (Acadêmico de Biologia)



"A oficina de Observação de Aves do Instituto Mamede foi de maneira insofismável a 3. Visão do Pantanal" Reginaldo Barbosa Faleiros









"Lifer é a palavra que define minha experiência com a equipe do Instituto Mamede. Muito obrigado
pelo aprendizado, companheirismo e principalmente pela amizade que criamos. Aprendemos a olhar as aves e também a construir laços de amizade."
Rafael (Acadêmico de Biologia)



"A oficina de observação de aves foi um despertar para um infinito de possibilidades. Uma semente que foi plantada em solo fértil. Grupo maravilhoso! E certamente contribuirá para a geração de um novo olhar rumo à preservação e conservação da biodiversidade. Gratidão Simone e Maristela." Neide Proença.


"Sempre me surpreendendo com as oportunidades proporcionadas. Mais uma vez consegui a visualização de muitas aves e tive o primeiro encontro com muitas especies (lifers) capazes de melhorar o meu trabalho como ilustradora. Obrigada Instituto Mamede por estar presente em mais um curso." Lidia Coimbra (Artista Visual)



A oficina me proporcionou uma experiência encantadora de observação de aves no Pantanal! Muito obrigado pelo conhecimento transmitido e pela ampliação de visão do que temos de especial aqui na nossa região.
Daniel Irineu (Biólogo)




"A oficina de Observação de Aves do 14° FASP 2018 me proporcionou novos conhecimentos e
aprendizado e aguçou meu olhar para o encantamento e inspiração para observação de aves, além de terapia natural. Admiração e gratidão pelo trabalho do Instituto Mamede."
Wanda Faleiros (Educadora Ambiental)

"A Oficina foi somente o começo dessa história, pois agora em diante nasceu um interesse mais detalhado de observar os pássaros e buscar conhecer os nomes, o lugar onde ele habita. Nesses dias de oficina tive a sensação boa de calmaria e paz para perceber esses seres lindos e únicos. A natureza é linda, e as aves com seus cantos são encantamentos. Adorei!! Esse grupo foi ótimo e os orientadores foram sensacionais. Foi um prazer participar do curso e desse grupo. Obrigada por tudo!!!" Lenice (Guia de Turismo)


"Oficina incrível, repleta de bons sentimentos e aprendizado. O olhar apaixonado das ministrantes fez todos se apaixonarem por cada ave, cada detalhe, cada lifer, uma emoção única!!! Parabéns, o encantamento proporcionado se multiplicará porque o amor merece ser compartilhado!! Gratidão por tudo." Isabel (Guia de Turismo)




"Com a Oficina tive a oportunidade de aprender, conhecer e reconhecer as aves do Pantanal. Estive nessa vivência com pessoas maravilhosas que me ensinaram a olhar para o horizonte, sempre
buscando por paixões, paixões que voam e nos deslumbram, que nos contagiam e nos fazem querer contagiar ao próximo, com esse novo olhar para o céu." Amanda Maciel (Turismóloga)


Foi muito prazeroso ministrar essa oficina de Observação e Identificação de Aves porque tivemos parceiros incríveis, como a equipe de patrimônio da Secretaria de Cultura do MS, os cursistas e as aves. Saber que a oficina fortaleceu o Clube de Observadores de Aves de Corumbá que está em plena criação nos deixou muito felizes!! Desejamos sucesso a todos e que tenham muitos encontros com esses seres tão encantadores que são as aves. É o patrimônio natural inspirando o patrimônio histórico e cultural!!
Maristela Benites e Simone Mamede (ministrantes da oficina)























terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Ecoturismo de Base Comunitária Educação Ambiental e Formatação de Roteiros

Ecoturismo de Base Comunitária Comunidade Quilombola da Boa Sorte, Corguinho, MS. Foto: Bolivar Porto

Ecoturismo de Base Comunitária um segmento turístico que valoriza a biodiversidade ao mesmo tempo em que projeta a comunidade como promotora e gestora do turismo local, evidenciando sua cultura, história, saberes e interação com a natureza.
Três dias de imersão no universo do Ecoturismo de Base Comunitária na Comunidade Quilombola Furnas da Boa Sorte na região da Serra de Maracaju, Corguinho-MS, onde estão as cabeceiras do Pantanal. “Todo mundo ao mesmo tempo, agora, misturados” na perspectiva de construção de território sustentável onde a comunidade local seja protagonista de seus processos, de seus sonhos. Quem esteve conosco na construção de conhecimento, planejamento, identificação e formatando roteiros?
Universitários de cursos de Turismo, professores, agências de turismo, microempresa em ecoturismo, ONG, comunidade quilombola de Furnas do Dionísio, guias de turismo, funcionários públicos, educadores ambientais, artistas e a comunidade de Furnas da Boa Sorte, anfitriões com sua excelente hospitalidade.
O módulo Educação Ambiental e Formatação de roteiros é uma continuidade do processo iniciado em 2016, cujo momento teve como tema: Planejamento e Sustentabilidade e um novo olhar a um ambiente que inspira respeito e cuidado com os elementos nele contidos, respeito a todas as formas de vida. A formatação dos roteiros foi moldada no coletivo vislumbrando os desejos da comunidade e atendendo ao que já vem sendo realizado por alguns membros da comunidade que vêm participando do processo de implementação do EBC.
A troca de saberes, uma via de união e integração, onde universitários tiveram a oportunidade de aplicar conhecimentos apreendidos na academia e a comunidade com seus saberes herdados tradicionalmente e outros estabelecidos multiplicaram os benefícios. Os condutores do curso, por sua vez, foram mediadores de um diálogo de fortalecimento de estruturas para um turismo sustentável tendo como protagonismo a comunidade local.

Como abordado na Carta da Terra “.... devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos gerar forças para uma sociedade sustentável baseada no respeito pela  natureza e nos direitos humanos, na justiça econômica e numa cultura de paz.
O que a comunidade já oferece aos ecoturistas? Hospedagem domiciliar, camping, refeições e ótima hospitalidade. Vale a pena conferir!!
O curso de EBC integra o projeto “Municípios Sustentáveis protegendo o berço das águas do Cerrado e as cabeceiras do Pantanal” do WWF-Brasil. É idealizado e promovido pelo Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo com o apoio do WWF. E não seria o mesmo sem a participação de ministrantes e parceiros como Instituto Quinta do Sol, Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul - UEMS, Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul – FUNDTUR, além da participação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo do município de Corguinho-MS.

Alguns depoimentos:

Como acadêmica de Turismo, vivenciar o EBC foi mais que um aprendizado, foi uma experiência incrível porque saímos da sala de aula pra aprender e ver que o EBC pode ser um segmento que tem um grande potencial, principalmente na comunidade quilombola Furnas da Boa Sorte, pude perceber que a vontade da comunidade em dividir seu espaço com as pessoas que ali chegam curiosas, maravilhadas com a paisagem e que ao começarem descobrir esse lugar vão se apaixonando pela natureza ali presente e principalmente pela comunidade muito receptiva, acolhedora, de um jeito simples que encanta. Eles possuem a quela peça-chave do EBC chamada hospitalidade. Conhecer e e compreender um pouco que seja, já faz grande diferença para mim, eu vejo um grande potencial e futuro para todos daquela comunidade. Eu já quero voltar e participar mais ainda essa comunidade. Só tenho a dizer que essa experiência foi incrível e divertida, claro.
(Danyele Ovelar, Acadêmica de Turismo, UEMS)


O Ecoturismo de Base Comunitária é lindo demais!! Foram três dias maravilhosos com pessoas espetaculares. Sobre a comunidade, sem palavras para descrever a recepção. Fiquei encantada com tudo e com todos. Foi lindo demais!!
(Marinete dos Santos Martins, Secretária de Turismo do Município de Jaraguari, MS)

Maravilha de curso, pessoas sensacionais, aprendizado para toda a vida.  Sem contar a recepção dos moradores da Boa Sorte, esse povo é maravilhoso com uma sinceridade espontânea e verdadeira. Um show de hospitalidade.
(Raul Patrick dos Santos, Funcionário da Prefeitura de Coguinho, MS)

O Ecoturismo de Base Comunitária é uma modalidade turística encantadora. Nos permite estar em lugares de natureza fantástica e com pessoas de simplicidade e carisma espetaculares. Em Furnas da Boa Sorte foi assim. Os moradores curiosos por tantas novidades e oportunidades, os visitantes maravilhados com tantas possibilidades. Será uma alegria levar os clientes do Sopa de Pedra Turismo e Aventura para vivenciar esses encantos.
(Elijane Coelho, Agência de Turismo Sopa de Pedra)

O curso de Ecoturismo de Base Comunitária foi muito especial, constituiu grande oportunidade para a imersão na cultura local. A receptividade dos moradores fez toda a diferença, enquanto a revitalização cultural vinha a tona por meio da contação de histórias, na oportunidade das visitas às famílias tradicionais. A vida pacata, a calmaria e a natureza do lugar são um convite ao retorno. Agradecimentos a todos os organizadores, aos companheiros de jornada e pela hospitalidade dos moradores.
(Gleidson Melo)

Sou grata por ter participado dessa incrível experiência. Lugar belíssimo natureza de encantar qualquer turista e uma comunidade tão simples e acolhedora.
(Marinês Duranes, aluna de Turismo, UEMS)

Nada nesta vida é por acaso e esse curso não foi diferente. Não sou de planejar, mas sim, de me preparar. Estar em contato com uma turma, vamos dizer assim "sangue novo" e com ideias contagiantes e ao mesmo tempo com pessoas com vontade de crescer em seu espaço me fez ter mais esperança no ser humano e ver que sempre em algum local tem alguém fazendo o país evoluir de alguma maneira. Isso que mantem ainda um status de existência de mais bem que mau. A descrença inicial de alguns se transformou na medida que ideias e visões futuras foram apresentadas e assim todos se contagiaram inebriantes o local e inesquecível as pessoas, um presente me foi dado e pela fé ali apresentada, agradeço a Deus pela oportunidade.
(Zulene Campos Rodrigues, Guia de Turismo)

Sou acadêmica do curso de Turismo e ter participado do cursos de Ecoturismo de Base Comunitária (EBC) na Comunidade Quilombola da Boa Sorte foi uma experiência inesquecível e de muito aprendizado. A natureza exuberante do local é realmente encantadora e vou guardar para sempre em meu coração, a hospitalidade da comunidade... Gratidão a todas as pessoas e aos momentos de alegria que pude vivenciar na comunidade.
Andressa Ovando, acadêmica de Turismo, UEMS)

Foi super significativo o desenvolvimento das atividades de Ecoturismo de Base Comunitária na Comunidade Furnas da Boa Sorte, A relação, mediadores, participantes e comunidade foi algo que mereceu destaque, aí se iniciou um processo de construção colaborativa para um bem comum! O protagonismo da comunidade e o desenvolvimento através das ações de turismo. Foi tudo simplesmente peculiar, parabéns a todos.
(Prof. Waldir Leonel, UEMS)

Gostaria de primeiramente agradecer a oportunidade de ter participado desse curso maravilhoso. Sou acadêmica de Turismo e ver a teoria da sala de aula em prática é algo bem mais trabalhoso e significante, onde temos a oportunidade de crescer tanto profissionalmente, quanto pessoalmente. O sentimento por aquele lugar é gratidão! A simplicidade e as histórias daqueles moradores os levam sonhar grandiosamente por pequenos gestos de esperança. Furnas da Boa Sorte, faz jus ao nome. Boa Sorte! Espero voltar em breve.
(Giovana Ribeiro, acadêmica de Turismo, UFMS)









segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Curso de Biologia de Campo e Ciência Cidadã

Curso de Biologia de Campo: biodiversidade do Cerrado e Ciência Cidadã
O Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo conclui suas atividades de 2017 com o curso de Biologia de Campo e Ciência Cidadã. Os cursos de campo do Instituto Mamede vêm sendo
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, planta, árvore, atividades ao ar livre e naturezadesenvolvidos desde 2011 para as diversas universidades do Brasil, com o objetivo de contribuir na formação acadêmica dos futuros biólogos, aprimorar e atualizar biólogos já formados em metologias de campo sem perder o enfoque humanista. O curso é oferecido tanto para licenciatura quanto para bacharelado. Como diz Mauro Guimarães"... é importante fazer todo mundo junto, ao mesmo tempo, agora...". A integração entre licenciatura e bacharelado torna as práticas mais sistêmicas e holísticas com uma visão que privilegia o conhecimento e a valorização da sociobiodiversidade.

O curso de dezembro intitulado "Curso de Biologia de Campo: Biodiversidade do Cerrado e Ciência Cidadã na Borda Leste do Pantanal" foi realizado na RPPN Quinta do Sol, Corguinho-MS e teve como participantes acadêmicos das turmas de biologia da UNESP de Rio Preto e biólogos já formados (mestrandos).
Foram quatro dias de vivências na natureza e com a natureza. Fomos desafiados à missão: Como estimular o Cerrado a se revelar a olhos desconhecidos e de terras longínquas? Estudos em biologia nos ajudam a prospectar a natureza como protagonista da vida. Assim, entre os dias 19 e 22 de dezembro, o Cerrado do Planalto Maracaju-Campo Grande (Serra de Maracaju) revelou sua magia e composição aos 37 alunos da Unesp de Rio Preto. Ônibus lotado de expectativas, mas também de incertezas e angustias com a travessia. Afinal, a máquina nem sempre está sintonizada com a natureza. O ônibus talvez não superasse os obstáculos dos 60km até a Quinta do Sol. Mas na natureza tudo tem seu tempo, seu ritmo. Aos poucos vamos entendendo e nos entregando. E o Cerrado estava lá pujante, como sempre, aguardando olhos de estima.

Cada momento foi ímpar, cada flor, fruto, plantas endêmicas, algumas das 44% de plantas exclusivas do Cerrado. Qual a utilidade? Para vários fins conhecidos, alimentação, estética, medicina popular etc. Útil ou não, do ponto de vista antropocêntrico, elas contribuíram para o encantamento do lado de cá do sertão.
As noites também ganharam luzes a mais, seja pelo lençol luminoso, ou pela luz natural dos cupinzeiros bioluminescentes. Não, não era alma-penada, eram vidas inteiras e famintas a espera de suas presas, cumprindo assim, a teia da vida.
Rastros deixados, vestígios e evidências de quem
nem sempre acerta os ponteiros com os horários humanoides de atividade. Sim, eles se movimentaram bastante por esses dias - ou melhor, noites -, tamanduás, lobinho, mão-pelada, tatu-galinha, tatu-peba, cotia, anta... Queríamos tanto ter o privilégio de contemplá-los pessoalmente. Não seja, por isso, a focagem noturna para estudos da mastofauna realizou o desejo de muitos. Lobinhos, antas e tamanduás se apresentaram na noite escura, fazendo a alegria e contribuindo para ampliar o N de mamíferos observados.
Quem dera encontrássemos também indivíduos de Plecoptera e Trichoptera no córrego Galheiros. Desejo antigo, de outros cursos de campo. E não é que eles também se dispuseram no caminho das águas? É, a travessia...
E o que dizer das aves? Foram mais de 90 espécies, para alguns 89 lifers!!! O primeiro encontro com udu-de-coroa-azul, com surucuá-de-barriga-vermelha, a alma-de-gato que
presenteou a todos durante a apresentação dos trabalhos! Rapazinho-do-chaco e também do Cerrado deixava as manhãs mais sonoras. Araras, os maiores psitacídeos também se apresentaram na travessia. Até mesmo a arara-azul, a maior do mundo, estava no caminho.
A ciência contabilizou 10 projetos executados e resumos elaborados, sobre os 4 grupos biológicos: botânica, entomofauna, avifauna e mastofauna. Mas o diferencial não estava apenas em conhecer um Cerrado cheio de bichos e plantas, mas também como transformar nossos dados, nossos N em resultados para a sociedade. Desse modo, a ciência cidadã também foi presente e corou os trabalhos científicos desenvolvidos. Dois projetos trataram frontal e belissimamente essa questão, concluindo que não podemos privar as comunidades do conhecimento produzido pelos cientistas. Mais que isso, ações de ciência cidadã ampliam nossos braços em prol da conservação e sustentabilidade, que tanto almejamos. As discussões e resultados provaram que precisamos avançar na conquista e formação de agentes de conservação. E, muitas vezes, o que lhes falta é acesso ao conhecimento. Todos os trabalhos serão publicados em um e-book, a ser lançado em 2018.
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De fato, na chegada éramos um, na despedida, outros! Noites a fio compilando dados, lendo artigos, refletindo, construindo resumos e interagindo com boas virtudes. Disto nos relata Guimarães Rosa: "o real não está nem na chegada nem na saída, ele se dispõe para a gente é no meio da travessia"!

A palavra escolhida para representar o grupo não podia ser melhor que "GRATIDÃO"!!

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O Instituto Mamede agradece a todos os parceiros que contribuíra para que o Curso de Biologia de Campo: Biodiversidade do Cerrado e Ciência Cidadã fosse realizado, ao Instituto Quinta do Sol, Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Anhanguera-Uniderp, MUPAN (Mulheres em Ação no Pantanal), Programa PET - UNESP. O momento não seria o mesmo sem o apoio de vocês!! Nossa gratidão...

Se a missão foi cumprida? Acompanhemos alguns depoimentos:

Alana Della Torre


O curso foi de excelente qualidade, muito completo, as atividades todas muito bem programadas, abrangendo perfeitamente o tripé universitário (ensino, pesquisa e extensão) o que é de extrema importância para uma formação completa dos alunos, além da preocupação social que também foi tratada, a ciência cidadã, um tópico essencial muitas vezes deixado de lado. Esperamos voltar mais vezes, gratidão  (Alana Della Torre)




Marina Maia Torres
Quatro dias de imersão total em meio à natureza e todo ensinamento que ela tem a nos dar, dando a certeza de ter escolhido a profissão certa. Com toda certeza cheguei uma pessoa, e voltei outra! #cerrado #biologia (Marina Maia Torres)





Paula Buzutti
Não tenho palavras pra descrever esses dias... só tenho a agradecer por todo o conhecimento compartilhado e por toda essa vivência inesquecível (Paula Buzutti)





Gustavo Rodrigues


Experiência única e transformadora, uma pausa para respirar e descansar dessa vida caótica em que vivemos e apreciar o que há de mais lindo e puro nessa vida que é a natureza. Que saudade da comida, da energia e dessa terra linda! (Gustavo Rodrigues)
Vanessa Tomazini







Foi uma experiência única que me fez aprender e crescer demais ❤ gratidão!!! (Vanessa Tomazini)









Majú Lagioto


O último dia e o registro da despedida. Esses quatro dias não 
poderiam ter sido melhores.  “Gratidão” é a palavra do que já foi, talvez “saudade” seja a palavra do que fica.  #cursodecampo #institutomamede. (Majú Lagioto)






Ana Isepan
Sem explicação! Obrigada por todos que fizeram parte dessa viagem inesquecível! (Ana Isepan)







Marcio Avanso

Tarefa um tanto difícil é relatar a experiência que vivi no curso de campo "Biologia de campo e ciência cidadã", mas posso dizer que ainda sinto em meu corpo a energia que era passada toda manhã em uma corrente humana onde todos ficavam de mãos dadas. Não poderia me encontrar de outra forma se não apaixonado pelo Cerrado. A apresentação que tivemos deste, dada sua devida importância, nos fará querer voltar sempre. "A vida em seus métodos diz calma", e com todo o grupo do Instituto Mamede no Cerrado e com o Cerrado pude alinhar o relógio caótico da cidade com o da natureza, contemplando toda a sua beleza exuberante. Sigo mais forte e grato por continuar com um pouquinho de cada um que contribuiu para esse momento acontecesse. (Marcio Avanso)


André Suzuki




Agradeço por tudo, porque foi uma experiência incrível, que mudou a minha forma de enxergar as coisas e contribuiu muito para o meu crescimento enquanto pessoa...
(André Suzuki)


Visão de Futuro!!
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