sábado, 2 de dezembro de 2017

Turismo para quem? Para todos


A vivência na natureza realizada em novembro no Parque Estadual do Prosa foi pra lá de especial com os integrantes do Instituto Sul-mato-grossense para Cegos - ISMAC. 

Foi uma manhã recebendo nossos
turistas cidadãos. Inicialmente, desenvolvemos juntos a prática de "ouver", ou seja, ver com os ouvidos. Inúmeras foram as espécies observadas, entre elas, o soldadinho, sabiás, surucuá-de-barriga-vermelha, joão-de-barro, araras, tucano, saíras, cisqueiro-do-rio, udu-de-coroa-azul, pitiguari, ferreirinho-relógio e tantas outras que sobrevoaram, pousaram e trouxeram alegria e encantamento ao grupo.


 Foi possível sentir o cheiro de verde, a textura dos diversos elementos naturais, o aroma das flores, o som das águas, o vento balançando as folhas, experienciar, enfim, momentos de (re)conexão com a vida e com o
mundo que nos rodeia de forma sensível e prazerosa. As vivências consistiram de observação de aves, trilha perceptiva com vários elementos da biodiversidade e roda dos sentidos. Experiências inesquecíveis de trocas de saberes e interação direta com a biodiversidade do Cerrado. Segundo os participantes, duas palavras resumiram a manhã "gratidão e felicidade". O desafio em incluir a todos para o contato com o mundo vivo pode parecer difícil, mas a natureza acolhe a todos e nos prova que a dificuldade reside apenas no pensamento humano, afinal, somos dela integrantes e dela nos originamos. Se os espaços 

forem acessíveis já é um grande avanço político. Disposição e criatividade certamente darão concretude às ações. Portanto, turismo em contato com a natureza é totalmente inclusivo e transformador. Gratidão pela oportunidade da experiência! O evento foi proporcionado pela parceria entre Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo, Fundação Estadual de Cultura, ISMAC, SECTUR e PEP e fez parte do 3º Encontro da Rede de Leitura Inclusiva de Mato Grosso do Sul - GTMS, Campo Grande-MS.
Conhecendo os frutos do Cerrado















quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Porto Murtinho realiza o I Seminário de Turismo de Observação de Aves

pica-pau-de-barriga-preta, fêmea (Campephilus leucopogon). Foto: Simone Mamede.

Porto Murtinho é um município do estado do Mato Grosso do Sul privilegiado por abrigar em seu território o Chaco, o Pantanal e o Cerrado.

O Chaco é um bioma de savana estépica com algumas características distintivas,
tuiuiú (Jabiru mycteria). Foto: Simone Mamede
tais como: árvores que perdem maior parte de suas folhas na estação seca (caducifólias) como estratégia adaptativa para redução da perda de água, as folhas são diminutas em sua maioria (micrófilas) e há presença de espinhos em várias espécies vegetais (espinescentes). O Chaco está presente na Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil, sendo que a única região brasileira com remanescente chaquenho compreende o território de Porto Murtinho-MS, constituindo 9 mil km² de extensão, aproximadamente, no extremo sudoeste sul-mato-grossense.
caturrita (Myiopsitta monachus). Foto: Simone Mamede
 A alta densidade da palmeira carandá (Copernicia alba), paratudos (Handroanthus aureus), piúvas (Handroanthus heptaphylla), baías, campos inundados e sua fauna associada reforçam a identificação de Chaco úmido associado ao Pantanal. A biodiversidade encontrada nessa região é pulsante e sinaliza seu valor como um ativo de desenvolvimento socioeconômico local. O uso tradicional da terra nesta região não é diferente de outras, que não percebem o valor da biodiversidade viva e íntegra para o desenvolvimento socioeconômico. É preciso encontrar estratégias de uso sustentável dos bens naturais e o Ecoturismo pode ser o caminho viável para esta conquista.

O Pantanal lato sensu apresenta aproximadamente 600 espécies aves. Considerando Porto Murtinho, os últimos estudos apontam 355 espécies, ou seja, 60% das espécies ocorrentes para o Pantanal. Devido à riqueza de ambientes naturais na área urbana do município, incluindo áreas públicas e quintais residenciais, a avifauna é proporcionalmente rica e abundante. Além da diversidade de aves encontrada no município, a facilidade para o avistamento de aves em liberdade é notável, o que representa importante fator de atratividade turística.

Porto Murtinho se popularizou, em circuito nacional e internacional, como destino para o turismo de pesca. No entanto, a expressividade desse segmento se concentrou na pesca 
predatória, da qual os próprios pescadores profissionais testificam a redução do estoque pesqueiro, especialmente no que tange à qualidade do mesmo. Esse cenário induz à adoção novas modalidades turísticas e perspectivas que sejam mais sustentáveis no sentido social, ambiental e econômico, uma nova visão de futuro. É possível agregar o ecoturismo, o turismo de observação de vida silvestre, especialmente o de observação de aves, conhecido como “birdwatching”, o qual apresenta alto potencial turístico na região.


Dentre os elementos relevantes para se considerar a observação de aves livres no planejamento turístico podemos enumerar: 1) Interação direta com alguns elementos da natureza, neste caso, as aves; 2) Interação a partir de atividade de baixo impacto ambiental; 3) Desperta a percepção; 4) Fomenta o ecoturismo, isto é, um turismo de qualidade, não extrativista e que não intervém negativamente nas práticas culturais locais; 5) Constitui-se de prática educativa e naturalista, contribuindo para nova leitura de mundo e qualidade de vida dos munícipes; 6) Tem caráter multi e transdisciplinar: acessível a qualquer pessoa independentemente da formação e atuação profissional (prática inclusiva e integradora); 7) É ponto de convergência de, pelo menos, seis elementos importantes da composição de uma sociedade: arte, educação, saúde, turismo, natureza e economia; 8) Contribui decisivamente para a conservação socioambiental, portanto pode constituir produto turístico resiliente e de longo prazo.

A partir desta perspectiva a Prefeitura de Porto Murtinho através da Secretaria de Cultura e
Turismo realizou no dia 21 de novembro de 2017 em parceria com a FUNDTUR, Instituto Mamede, Avistar Brasil e Uniderp, o I Seminário de Turismo de Observação de Aves, com intuito de fomentar e fortalecer um modelo de Turismo mais sustentável para região, que respeite a cultura local e valorize a biodiversidade regional. 

O evento contou com diálogos sobre: 1) A potencialidade do Turismo de Observação de Aves no Brasil e no mundo; 2) O turismo de birdwatching no Mato Grosso do Sul; 3) Os resultados das pesquisas sobre a riqueza das Aves do Chaco em Porto Murtinho; 4) Roteiros Integrados e Transfronteiriços para o Turismo de Observação de Aves; e 5) O papel de guias e agências de Turismo que bem recebem os observadores de aves. 

saracuruçu (Aramides ypecaha). Foto: Simone Mamede.







Estiveram participando dos diálogos vereadores, funcionários públicos, professores, comunidade escolar, integrantes de projetos sociais e o trade turístico do município, além do secretário de Turismo de Vallemi (Paraguai), Sr. Guilhermo e guias de turismo, tanto de  Porto Murtinho quanto de Vallemi (PY). O secretário de Turismo de Porto Murtinho, Sr.  Charbel, afirmou que o município reconhece o 
Turismo de Observação de Aves como uma das modalidades de turismo com forte potencial para região e que de fato assegurará sustentabilidade junto com outras categorias de turismo de baixo impacto ao meio ambiente.

Entre os dias 22 e 25 de novembro/2017 pesquisadores que participaram do I Seminário sobre Turismo de Observação de Aves em Porto Murtinho registraram 254 espécies em raio de apenas 100 km da sede do município. Muitas das espécies são raras, ameaçadas de extinção e procuradas pelos “birders”, por exemplo: pica-pau-de-testa-branca, pica-pau-de-barriga-preta, águia-cinzenta, caboclinho-de-barriga-vermelha, arara-azul, arara-vermelha e papa-moscas-canela. Visite!



bigodinho, macho (Sporophila lineola). Foto: Simone Mamede
peitica-de-chapéu-preto (Griseotyrannus aurantioatrocristatus). Foto: Simone Mamede.



cardeal (Paroaria capitata). Foto: Simone Mamede
carrapateiro (Milvago chimachima). Foto: Simone Mamede.



sebinho-de-olho-de-ouro (Hemitriccus margaritaceiventer). Foto: Simone Mamede


arapaçu-do-campo (Xiphocolaptes major). Foto: Simone Mamede.


cabureí (Glaucidium brasilianum). Foto: Simone Mamede.
caneleiro-verde (Pachyramphus viridis). Foto: Simone Mamede

príncipe-negro (Aratinga nenday). Foto: Simone Mamede.

cardeal-do-banhado (Amblyramphus holosericeus). Foto: Simone Mamede.
urubu-rei (Sarcoramphus papa). Foto: Simone Mamede.