quarta-feira, 3 de julho de 2013

A Arte de Observar Aves




Como observar aves sem lançar mão da arte? Passarinhar, como é conhecido o hábito de se reunir amigos e interessados na observação de aves em liberdade, representa interação, integração e reconexão. Interação entre pessoas e com o ambiente natural, integração ao meio e ao grupo, e reconexão ao se buscar pela religação do ser humano à sua essência mais profunda, que é o mundo
Ferreirinho-relógio (Todirostrum cinereum). Foto: Maristela Benites
vivo.
 Passarinhar, que fazer é esse? Que magia é esta capaz de atrair pessoas de todas as idades que assumem a postura do olhar-para-cima, para as árvores, para as plantas, para a água, para o voo, para os sons? Mistério revelado a poucos! Os “passarinheiros” fazem incursões a áreas naturais, com provável riqueza de aves, buscando por elas nas primeiras horas do dia e se deleitam quando a presença de alguma espécie é detectada e capturada pelos olhos e/ou ouvidos. Essas pessoas, reunidas geralmente em pequenos grupos, portam equipamentos como binóculos, máquina fotográfica, gravador, caderneta e guia de campo, e muita motivação para descobrir o que, talvez, por lá sempre esteve, ou não! 
Ateliê Ana Ruas. Foto: Elis Regina

A oficina “A arte de observar aves”, promovida pela artista plástica Ana Ruas e ministrada pelo Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo, com apoio da Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul, possibilitou o contato entre artistas e observadores, resultando também na ampliação do número de participantes do nosso Clube de Observadores de Aves de Campo Grande-MS, o COA CGR.
Falar das aves é passear por vários cenários e contextos, com o pensamento livre e em permanente divagar de cores, formas e plumagens. Como esquecer manuelzinho-da-crôa de Diadorin e Riobaldo, personagens inesquecíveis da obra de Guimarães Rosa? E a singeleza e brancura das garças sob o olhar de Manoel de Barros? E as belas músicas inspiradas nas aves?

De olho na silhueta, “jeitão” e marcas de campo pôde-se extrair muitas pistas para identificação da espécie observada. Ótimo exercício foi resgatar um pouco da história da arte naturalista e perceber o quanto tudo está interligado.
Risadinha (Camptostoma obsoletum). Foto: Guilherme Carlucci

Momento para registro de muitos lifers a vários participantes. Lifer, conforme o “dialeto passarinhês”, significa a primeira vez que determinada espécie foi vista por você (STRAUBE et al., 2010). Pausa para “ouver” as aves, ou seja, ver com os ouvidos. Sim, frequentemente não conseguimos visualizar a ave que está se vocalizando, então a melhor maneira para registrá-la é tentar identificá-la pelo som emitido.
 

 
Olhos e ouvidos atentos e deslumbrados com as 58 espécies de aves encontradas no Parque das Nações Indígenas em apenas três horas de observação!
Seria possível viver sem arte? Certamente que não, já que uma é inerente à outra.
Observar as aves para além do componente físico que representam e enxergar arte é interagir de forma plena com o ambiente, com a vida e esta certamente fica mais leve, aprazível e duradoura!


Mas... você,
Já viu ave muda?
Muda?
Não!
Muda! Muda não...
Muda rumo, muda céu
Ave muda, não?
Muda som,
Muda medo, muda pena...
... A ave muda, não muda, mas muda...
 (S. Mamede)
Araçari (( Pteroglossus castanotis). Foto: Ari Lopes da Rosa

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